ONU precisa de 850 milhões para combater risco de fome em quatro países

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O diretor do Programa Alimentar Mundial alertou, esta sexta-feira, para aquela que considera ser a maior crise humanitária em 70 anos, com mais de 20 milhões de pessoas no Iémen, Somália, Sudão do Sul e Nigéria em risco de fome.

“Uma fome é uma situação rara. Quatro países à beira de fome ao mesmo tempo? Nunca se ouviu falar. Enfrentamos a maior crise humanitária em 70 anos”, disse David Beasley, em entrevista à Lusa.

O norte-americano, nomeado para o cargo em março deste ano, diz que a situação mais preocupante acontece no Iémen, onde perto de sete milhões de pessoas são incapazes de sobreviver sem algum tipo de ajuda alimentar.

“O país está à beira de colapso total. A má nutrição entre as crianças está a níveis altíssimos, impedindo uma geração inteira de alcançar todo o seu potencial. O sistema financeiro está em ruínas e grandes áreas do setor público, incluindo milhares de funcionários de saúde, não recebem os seus salários há quase 10 meses”, explica.

Além da fome, o responsável diz que um surto de cólera tem atravessado o país, infetando milhares de pessoas e causando a morte de outras centenas. O Programa Alimentar Mundial, que faz parte da ONU, está a trabalhar com a Organização Mundial de Saúde e com a UNICEF para estabelecer centros de tratamento de emergência para tratar e combater a doença.

Além do Iémen, milhões de pessoas estão em risco de fome na Somália, no Sudão do Sul e na Nigéria. Beasley diz que a situação nestes países “infelizmente deve-se a conflitos provocados pelo homem.”

“Em cada um destes países, fações em guerra têm posto a sua agenda à frente das pessoas. Guerra e violência devastam as vidas de milhões de pessoas, criando emergências de fome e doença a larga escala. Estes conflitos também dificultam o nosso acesso às pessoas que mais precisam, que estão frequentemente em áreas fora do nosso alcance”, diz o responsável.

O político diz que “até líderes de todo o mundo colocarem mais pressão sobre estes países para acabar com estes conflitos, a miséria e sofrimento humano vão continuar” e que a comunidade internacional “não terá qualquer hipótese de atingir o seu objetivo principal: acabar com a fome até 2030.

ONU precisa de 850 milhões de euros para impedir fome em quatro países

O Programa Alimentar Mundial precisa de 850 milhões de euros para impedir a fome nesses quatro países em risco de fome, disse David Beasley.

“Quando estamos com poucos fundos, o programa é obrigado a cortar nas rações de comida, deixando as pessoas com menos do precisam para ter uma vida normal e saudades. Quanto mais dramáticos os cortes, maior o número de pessoas que pode morrer por falta de comida”, constatou.

A proposta de orçamento do Estado dos EUA, apresentada por Donald Trump em março, inclui cortes nas contribuições para as Nações Unidas e os seus programas de ajuda humanitário, mas o orçamento final será elaborado pelo Congresso e Beasley acredita que se vai manter o apoio do país à organização que dirige.

“Acredito que este apoio bipartidário vai continuar porque estes líderes sabem que é interesse estratégico dos EUA ajudar-nos a combater a fome. O povo americano percebe que apoiar os nossos irmãos e irmãs a volta do mundo não é apenas um ato de coração, é também de cabeça, e acredito firmemente que vão continuar a apoiar de forma generosa o nosso trabalho”, conclui o diretor.

Este artigo foi publicado originalmente no Jornal de Notícias

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