Os polos magnéticos da Terra podem estar prestes a inverter-se, alertam cientistas

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Não é um thriller de ficção cientifica, mas bem podia ser. A polaridade da Terra pode estar prestes a inverter-se e isso pode trazer uma série de consequências graves para o planeta.

O núcleo da Terra gera um campo magnético que atua como um “campo protetor” contra ventos solares e radiações capazes de danificar o planeta.

Este campo estende-se durante milhares de quilómetros no espaço e o seu magnetismo afeta tudo o que se passa na terra.

Um grupo de cientistas descobriu que este campo enfraqueceu cerca de 15% ao longo dos últimos 200 anos. E isso, defendem, pode ser sinal de que os polos magnéticos terrestres estão prestes a inverter-se.

Esta inversão poderá significar a entrada de “correntes devastadoras de partículas do sol, raios cósmicos galácticos, um maior número de raios ultravioleta-B graças a uma camada de ozono danificada pela radiação” na atmosfera terrestre, entre outras coisas que podem magoar ou mesmo matar os seres vivos, afirma a jornalista científica Alanna Mitchell no seu relatório na plataforma Undark.

E os riscos podem não ser apenas biológicos: a inversão polar pode interferir com os satélites que controlam as redes elétricas terrestres, levando a apagões generalizados capazes de durar décadas.

Segundo Daniel Baker, diretor do Laboratory for Atmospheric and Space Physics, na University of Colorado Boulder, parte do planeta poderá ficar mesmo “inabitável” durante a inversão, explica no mesmo relatório.

“Imagine momentaneamente que a sua corrente elétrica é cortada durante alguns meses – muito poucas coisas funcionam sem eletricidade nos dias de hoje”, explica Richard Holme, professor de ciências na Liverpool University ao Mail Online.

A animação representa a evolução do campo magnético terrestre, de 1910 a 2020. As linhas azuis representam um campo magnético mais fraco, as linhas vermelhas um campo mais forte. A linha verde é o limite entre ambos. O magnetismo sobre a América do Sul está a enfraquecer e a área vermelha sobre a América do Norte está a perder força. – NOAA National Centers for Environmental Information

Vários investigadores acreditam que este fenómeno poderá trazer mudanças climáticas drásticas, assim como uma maior exposição a radiações nocivas causadoras de doenças como o cancro.

“A radiação poderá ser 3 a 5 vezes superior àquela originária do buraco do ozono criado pelo Homem”, explica Colin Forsyth do Mullard Space Science Laboratory, na University College London.

“Além disso, os buracos do ozono serão maiores e mais duradouros”, acrescenta.

Ao estudar a magnetosfera terrestre – a área em redor do planeta controlada pelo seu campo magnético – os cientistas descobriram que este campo se mantém em constante movimento.

O polo norte magnético – o ponto terrestre em que uma bússola magnética apontaria diretamente para baixo, em direção ao centro da terra – muda frequentemente de localização, assim como se invertem os polos magnéticos da Terra a cada 200 mil ou 300 mil anos.

No entanto, a última inversão registada remonta a cerca de 780 mil anos atrás, o que pode representar um atraso no ciclo, relata o British Geological Survey.

O campo magnético terrestre tem sido estudado nos últimos 170 anos – o correspondente a 1-15% do tempo que uma inversão polar pode demorar. Deste modo, Forsyth acredita que “de momento não conseguimos determinar com precisão se o campo magnético da Terra está ou não prestes a virar”.

Este artigo foi publicado originalmente na Visão

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