Pai de recém-nascida morta à facada pelas gémeas do Seixal faz novas revelações

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A mãe que matou a bebé à facada em Corroios foi condenada a 18 anos de prisão. A irmã, que ajudou no crime vai passar os próximos 15 anos na cadeia.

As duas mulheres foram julgadas, no Tribunal de Almada, por homicídio qualificado e profanação de cadáver.

Diogo Bastos, companheiro de Rafaela Cupertino e pai dos filhos gémeos, esteve esta quinta-feira à conversa com Júlia Pinheiro, no programa da tarde, da SIC.

O pai da recém-nascida assassinada diz ter sido vítima de agressões por parte de Rafaela e que a relação dos dois estavam muito degradada.

“Eu fui agredido, mas não respondia… A Rafaela sempre foi uma pessoa que achava que estava sempre correta.”

“Não tínhamos intimidade, não tínhamos relações sexuais. Não sabia desta gravidez. Discutíamos quase todos os dias e eu evitava estar em casa. Dormia muitas vezes no sofá”

“Nós íamos sair durante todos os fins de semana e ela bebia droga e consumia álcool, e presenciando essas situações, nunca pensei que ela estivesse grávida”, disse.

Ao recordar o dia do crime, Diogo conta que foi para casa da tia e recebeu um telefonema da cunhada, Inês Cupertino, a pedir para voltar a casa.

“A Inês ligou-me e disse-me ‘vem para casa, urgente’…Quando cheguei a casa, a Inês abriu a porta e disse que a Rafaela tinha acabado de parir e que a criança tinha morrido”.

O pai da recém-nascida ainda afirma que desconhecia o crime, até chegar a casa naquele dia e acredita que a Rafaela não planeou com antecedência o homicídio.

“A Rafaela nunca pensou nas consequências. Ela sempre contou com o apoio da família. Eu acho que ela não planeou aquilo…Penso que ela queria desfazer-se da criança…O que eu não percebo são as ações.”

Diogo pensa ainda que o crime até possa ter sido uma punição, um castigo para si ou até que a filha não fosse dele, mas sim fruto de uma traição.

“Houve traições da minha parte, ao longo desta relação. Não existia confiança”, disse, acrescentando que “ou então o filho não era meu…ela secalhar não sabia de quem era a criança, é a única explicação plausível”.

Detalhes

“Quando vi a Rafaela, ela tinha um lugar vazio e reparei que estava ter uma hemorragia…Disse-lhes que ia ligar para o INEM, e a Ines disse-me para não fazer isso, que tinham matado uma criança”.

“Metemos a Rafaela na banheira e ela desmaiava. Eu pensava que a Rafaela ia morrer nas minhas mãos”, afirma Diogo.

“A Inês estava em pânico. Limpou as coisas. Não me lembro se a faca estava lá”, recorda.

Quando as autoridades tocaram à campainha, “os agentes perguntaram-nos o que tinha acontecido. Um dos agentes reparou no sangue na camisola e nos pés da Inês. Ela disse que estava com o período e entretanto o agente insistiu… A Inês depois disse que a irmã tinha tido um parto e que o bebe tinha morrido”.

Diogo, em conversa com Júlia Pinheiro, revela ainda que os gémeos assistiram ao crime, o que deixou a apresentadora perplexa e surpreendida.

“Os gémeos estavam lá… O Frederico estava possuído, chorava e berrava. O Salvador estava tranquilo. Na altura tinham 20 meses… Não sei em que parte da casa estavam quando aconteceu”.

Acusado de Violência doméstica

“Em julgamento acusaram-me de violência doméstica. Disseram que ela era perturbada por minha causa. Disseram que eu batia nos meus filhos…”

“Infelizmente ainda gosto dela e ainda revivo aquilo que vivi com ela…”

Guarda dos filhos

Os gémeos ficaram ao cuidado da família materna.

“Os avós dos meninos, disseram que nada ia mudar…Mas um pedido de inibição estava a ser feito contra mim…”

Diogo só pode ver os dois filhos de três anos uma vez por semana com supervisão.

“Eu agora não tenho condições para os ter, mas quero passar mais tempo com ele e estar sozinho com eles…”

Gémeas Condenadas

Rafaela Cupertino, mãe da bebé, foi condenada, em cúmulo jurídico, à pena única de 18 anos e três meses de prisão pelos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver, enquanto à irmã, Inês Cupertino, o coletivo de juízes determinou a pena única de 15 anos e três meses, pelos mesmos dois crimes.

Em 09 de abril do ano passado, em Corroios, no Seixal, Rafaela Cupertino entrou em trabalho de parto em casa e, com a colaboração da irmã gémea, Inês Cupertino, feriu a recém-nascida com uma faca, provocando-lhe morte imediata.

O Ministério Público (MP) defendeu, durante as alegações finais, realizadas em 14 de março, que as arguidas fossem condenadas em coautoria, pelos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver, pedindo a pena máxima de 25 anos.

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