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03/12/2019 17:18

Palácio de Mafra com exposição de livros sobre magia e oculto da sua biblioteca

Por Lusa

Mafra, Lisboa, 03 dez 2019 (Lusa) – Uma exposição de livros sobre magia e o oculto é inaugurada na quarta-feira no Palácio Nacional de Mafra baseada numa investigação do teólogo e ilusionista Nuno André sobre os livros proibidos pela Inquisição existentes na biblioteca do monumento.

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A exposição dá a conhecer ao público “obras originais com a história da magia que Mafra tem guardadas e que falam de temas como a magia, a tolerância perante o confronto entre magia e religião e a desconstrução desses preconceitos”, explicou à agência Lusa o comissário da exposição, Nuno André.

A mostra, de portas abertas até maio de 2020, reúne mais de 70 obras existentes na biblioteca do Palácio Nacional de Mafra que o teólogo e ilusionista estudou, assim como mecanismos de ilusionismo antigos e uma rosa em suspensão protegida apenas por um vidro.

Os livros expostos estão divididos por diversas categorias, consoante a magia foi entendida ao longo dos séculos, explica o catálogo da exposição, a que a agência Lusa teve acesso.

Uma primeira secção é dedicada aos livros que contêm definições de magia, como o primeiro dicionário de português, de autoria de Rafael Bluteau e publicado entre 1712 e 1728.

As primeiras enciclopédias e dicionários explicavam a magia a partir de três conceitos, um dos quais a magia natural, que produzia efeitos extraordinários a partir dos segredos da natureza, como os de Tobias, que se diz ter curado a cegueira do pai usando entranhas de peixe.

Existia ainda a magia artificial, baseada no engenho humano que maravilhava pela exibição de fenómenos extraordinários, e a magia diabólica, originária da relação com espíritos malignos.

Alguns dos livros são verdadeiros ataques a amuletos e superstições, afirmando que não dependem da magia, mas de Deus, condenando magos, astrólogos, necromantes ou quiromantes.

Um segundo grupo de livros é dedicado à arte dos ilusionistas e mágicos, que se afirma no século XIX, mas sobre a qual se começou a escrever em 1612, descrevendo truques de magia.

Numa terceira secção, são agrupados livros que foram proibidos pela Igreja Católica, ao encetar uma verdadeira perseguição e propaganda contra aqueles rotulados de bruxas e feiticeiros, e que de forma excecional foram depositados na Real Livraria de Mafra após autorização concedida pelo papa Bento XIV em 1754, proibindo também o seu empréstimo ou desvio, sob pena de excomunhão.

Uns livros debruçam-se sobre a interpretação de sinais, que se cruza com a magia e com a astrologia na tentativa de ler o futuro, e outros sobre o entendimento de monstros, unicórnios, formações fisiologias e anatómicas irregulares do corpo humano e fenómenos raros da natureza como terramotos ou erupções vulcânicas, sendo muitas destas “aberrações da natureza” interpretadas como prodígios.

Numa outra secção, aparecem os livros sobre filosofia natural e oculta, com conhecimentos medicinais, domésticos e técnicos, enquanto noutra se encontra bibliografia com as leias da física, pondo o homem a fazer magia numa altura em que são inventadas a bússola e a lanterna mágica.

Há ainda secções dedicadas à alquimia, à arte de ocultar segredos através da esteganografia e estenografia e da criptografia.

Até maio, vão ser organizadas visitas guiadas à exposição, espetáculos de magia e conferências temáticas.

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Lusa

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