Palácio de Lisboa que foi prenda de casamento dado aos munícipes como polo cultural

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Situado na Estrada de Benfica, o Palácio Baldaya foi atribuído a D. Maria Joanna, que lhe deu nome, como presente de casamento, em 1840. Hoje, depois de um século fechado ao público, reabre como polo cultural e de inovação.

Durante 19 anos e até morrer, Donna Maria Joanna Baldaya (como surge nos registos históricos) viveu neste palácio, que depois deixou a herdeiros.

Depois disso, o Palácio Baldaya teve diferentes usos: nos finais do século XIX funcionou como hotel e no início do século XX foi vendido ao Estado, que ali instalou o Laboratório Nacional de Investigação Veterinária durante décadas.

Agora gerido pela Junta de Freguesia de Benfica, o palácio, que abriu este ano ao público para assinalar o 25 de Abril, passa hoje a estar de portas abertas.

“As pessoas adotaram o Palácio Baldaya, têm um carinho muito especial por este palácio. Mesmo depois da vandalização que tivemos na semana passada, as pessoas aderiram em massa e têm feito romarias aqui à porta, quer para nos dar ajuda, quer para ver o andamento dos trabalhos e hoje podemos dizer que vamos devolver o Palácio Baldaya à freguesia”, disse à agência Lusa a autarca de Benfica, Inês Drummond (PS).

A ideia inicial era requalificar o espaço para o transformar numa biblioteca.

“Em Benfica temos cerca de 12 mil alunos do ensino público e privado e universidades seniores que não têm uma única biblioteca. Temos 37 mil habitantes e não existe uma biblioteca em Benfica”, apontou a autarca.

No entanto, “este projeto foi crescendo” e, por essa razão, as obras iniciadas em novembro e agora concluídas, orçadas em cerca de 400 mil euros, dotaram o edifício de condições para funcionar como polo cultural e de inovação, com ludoteca, salas para exposições e concertos e locais para associações e projetos educativos.

Ali existe ainda um espaço para ‘cowork’, que permitirá a criação de 22 postos de trabalho, e uma cafetaria.

Apesar de alguns traços modernos, a reabilitação consagrou “os traços identitários do palácio, que são muito fortes”.

“Temos tetos trabalhados lindíssimos, que foram preservados; este jardim procurámos manter a sua matriz dos últimos 100 anos; temos a estatuária, que foi toda requalificada e restaurada; temos ali um chafariz muito bonito”, elencou a autarca.

A história e a modernidade também se cruzam no mural desenhado pelo artista plástico Rui Ferreira, mais conhecido como Raf, que representou Donna Maria Joanna Baldaya na fachada do palácio.

“Como não existe nenhum registo de fotografia nem de pintura da Donna Maria Joanna Baldaya, nós chegámos à conclusão de que poderíamos representá-la […] indo buscar inspiração à arte nova, do século XIX”, disse Raf à Lusa.

Isso resultou num desenho que mistura o antigo e atualidade, “no que se refere à representação da ‘street arte’ e do graffiti”, acrescentou.

Na imaginação de Raf, Donna Maria Joanna Baldaya é ruiva, tem curvas e um ar sereno. Já na sua representação, está envolta em cores como o verde, amarelo e laranja, que remetem para a antiguidade, e está coberta de flores, dentro de um medalhão.

“As cores foram surgindo, na verdade. Tinha a ideia de que seria uma ruiva, não sei explicar porquê”, adiantou.

Depois de cinco dias a trabalhar na representação, Raf ainda fará hoje alguns retoques para Donna Maria Joanna Baldaya estar pronta para a inauguração do seu palácio, que se inicia pelas 18:00 e dura até à noite de domingo.

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