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Plano 2020/2030: António Costa Silva defende pacto Estado/empresas

Lisboa, 10 jul 2020 (Lusa) – António Costa Silva defende um pacto entre Estado e empresas em que aquele não se limite a pôr dinheiro nas empresas, mas as condicione a uma gestão eficiente, áreas e produtos de maior rentabilidade e manutenção de empregos.

“É muito importante o Estado reunir com as empresas dos vários setores, por ‘clusters’, fazer o levantamento de toda a situação, definir os critérios de apoio e condicionar esse apoio a uma aposta forte das empresas na manutenção dos postos de trabalho e na sua responsabilidade de gestão eficiente dos capitais a que têm acesso para reinventarem os seus planos de negócio e apostarem em áreas e produtos que assegurem uma maior sustentabilidade em termos de futuro. Não é aconselhável um modelo em que o Estado pura e simplesmente despeja dinheiro em cima dos problemas”, afirma o consultor na versão preliminar do plano de recuperação económica pedido pelo Governo.

Segundo Costa Silva é, assim, “muito importante pensar num pacto estado/empresas que regule o papel de ambos” e em que a concessão de apoios públicos ao tecido empresarial seja condicionada a critérios estabelecidos pelas autoridades públicas.

As empresas têm de ser reconhecidas como o “motor real do crescimento e da criação de riqueza”, refere o consultor do Governo na versão preliminar do Plano de Recuperação Económica e Social 2020-2030, a que a Lusa teve acesso, mas o Estado também deve exigir àquelas que beneficiam de capital público que se empenhem na melhoria da gestão, prefiram capital a dívida, aumentem a competitividade (não por baixos salários, mas pela inovação tecnológica) e internacionalização (desde logo pela cooperação entre si para melhor intervirem no mercado global).

“É crucial que este pacto estado/empresas seja uma plataforma para corrigir muitas das vulnerabilidades do nosso tecido empresarial, elevá-lo a um novo patamar e reorientar as empresas portuguesas para explorarem vantagens competitivas no mercado global, criarem aceleradores de negócios, venderem não só produtos, mas também ideias e serviços, produzirem uma nova geração de campeões globais, ligarem o design à engenharia e transformarem ideias em negócios à escala global”, afirma Costa Silva.

Contudo, acrescenta, assim que a economia portuguesa “for mais saudável e as empresas estiverem capitalizadas”, o Estado deve retirar-se das empresas “porque o seu papel não deve ser o de substituir-se às empresas, mas pelo contrário criar condições para elas poderem operar, crescer e competir”.

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