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11/02/2020 00:01

Portugueses são os que mais aprendem nas escolas a usar a internet de forma segura

Por Lusa

Os estudantes portugueses são os mais bem preparados pelas escolas para usar a Internet de forma segura, segundo um estudo internacional hoje divulgado que compara onze países e reforça que o meio socioeconómico influencia o conhecimento.

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Milhares de alunos do 8.º ano de escolas da Dinamarca, Finlândia, Alemanha, França, Itália, Luxemburgo, Cazaquistão, República da Coreia, Chile, Uruguai e Portugal participaram no Estudo Internacional de Literacia de Informação e Computacional (ICILS 2018) e os portugueses destacaram-se pela positiva.

Os resultados do estudo são conhecidos no Dia da Internet Mais Segura, que se comemora hoje e mostra que os estudantes portugueses são os que dizem ter aprendido mais formas de se manterem seguros quando estão online, com 85% a dizerem que aprenderam como partilhar de forma responsável informação nos media, sendo apenas ultrapassados pelos finlandeses (88%).

Apenas 9% dos portugueses admitiu não ter aprendido a importância de terminar sessão (“log out”) quando usa um computador partilhado, um número acima da média de todos os restantes inquiridos.

Três em cada quatro portugueses (73%) garantiu ter aprendido a importância de substituir a palavra-passe com regularidade, e quase o mesmo número disse que confirma a origem dos e-mails e dos anexos que recebe (72%).

“O estudo mostrou que existe uma divisão digital associada ao estatuto socioeconómico dos alunos. Em todos os sistemas educativos que participam no ICILS 2018, há estudantes de origens socioeconómicas mais favorecidas com notas de informática e de literacia de informação significativamente mais elevadas do que as de origem mais desfavorecida”, sublinhou Dirk Hastedt, diretor executivo do IAE (International Association for the Evaluation of Educational Achievement).

Dirk Hastedt reforçou a importância da Educação para diminuir este fosso, sublinhando que “a escola é um lugar onde todos os alunos podem aprender a manter-se seguros, independentemente das circunstâncias domésticas.”

O estudo revelou que a diferença entre países é mais pequena do que as diferenças dentro de cada país.

Mais uma vez, as condições socioeconómicas dos estudantes, os anos de experiência de utilização de computadores e o acesso a computadores em casa acabam por ser determinantes nos resultados.

Através dos inquéritos foi possível perceber que os filhos de pais com formação superior obtêm melhores resultados, assim como aqueles que têm pelo menos 26 livros em casa.

Em novembro do ano passado, foram conhecidos outros dados deste mesmo estudo que revelaram que apesar de os jovens terem nascido e crescido rodeados de tecnologia, a maioria não tem assim tanta habilidade para usar as tecnologias de informação.

Apesar de serem conhecidos como “nativos digitais”, dos 46 mil alunos inquiridos, apenas 2% demonstraram ter capacidade para aceder de forma critica a informação ‘online’.

Os investigadores tentaram perceber se os jovens estão preparados para estudar, trabalhar e viver num mundo digital: Em Portugal, 20% dos alunos mostrou ser capaz de trabalhar de forma independente com computadores.

Quase metade conseguiu executar apenas “tarefas elementares e explicitas” de recolha e gestão de informação: 46% dos jovens portugueses ainda “precisam de ajuda” na altura de usar computadores para investigar, criar ou comunicar.

Perante estes resultados, os investigadores alertaram para o facto de não bastar entregar equipamentos a alunos e professores. É preciso ensinar a usar, defenderam.

O Ministério da Educação lançou, no anterior mandato, vários programas nas escolas destinados aos alunos do 1.º e 2.º ciclos e anunciou para o atual mandato um projeto de melhoria da internet nas escolas com novos equipamentos e formação de professores.

O estudo mostrou ainda que os alunos usam mais as TIC fora da escola e sobretudo para atividades de lazer, tais como ouvir música, descarregar vídeos ou aceder a informação através da internet.

O estudo internacional testou os conhecimentos de mais de 46 mil estudantes, entre os quais cerca de três mil portugueses, tendo em conta duas áreas: Literacia em Computadores e Informação (CIL) e Pensamento Computacional (CT).

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