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Protestos continuam pelo segundo dia no Mali e presidente pede negociações

Bamaco, Mali, 11 jul 2020 (Lusa) – A polícia lançou hoje gás lacrimogéneo na capital do Mali, no segundo dia consecutivo de protestos contra o Governo, desafiando o mais recente pedido de diálogo feito pelo Presidente.

As agências internacionais relatam que a participação foi muito menor do que na sexta-feira, dia em que se juntaram milhares de manifestantes, ocupando a estação de televisão estatal e lançando fogo.

Os protestos causaram a morte a um cidadão e provocaram feridos, que continuam a chegar ao hospital da capital e que são já mais de 40, disse o porta-voz do hospital Gabriel Toure em Bamako, Djime Kante.

Os protestos vêm intensificar a oposição ao presidente Ibrahim Boubacar Keita, a dois anos do fim do seu mandato.

Keita tentou apaziguar os manifestantes e, num discurso ao país, prometeu renovar o Tribunal Constitucional, alegadamente comprometido com o poder político.

“Gostaria mais uma vez de tranquilizar o nosso povo quanto à minha vontade de continuar o diálogo e reiterar a minha disposição para tomar todas as medidas ao meu alcance para acalmar a situação”, disse.

Esta foi a terceira grande manifestação organizada em menos de dois meses pela coligação do Movimento do 05 de Junho, integrado por religiosos, políticos e personalidades da sociedade civil, que contesta o Presidente Keita, no cargo desde 2013.

Esta contestação, animada pelo imã Mahmoud Dicko, considerada uma figura muito influente, faz recear aos parceiros do Mali um agravamento da instabilidade de um país já confrontado desde 2012 com ataques de milícias fundamentalistas, a que se juntaram desde há cinco anos confrontos intercomunitários.

Para mais, este fenómeno repete-se nos vizinhos Burkina Faso e Níger, desde 2015.

Depois da manifestação, os protestos continuaram e a sede da Assembleia Nacional foi atacada.

Os dois canais da televisão pública do país deixaram de emitir na sexta-feira, a partir da hora de almoço, depois de os manifestantes, no final do desfile, se terem dirigido para a sede da rádio e televisão públicas, onde ocuparam a antena, segundo jornalistas da AFP.

Outros contestatários ocupavam duas das três pontes da cidade, com barricadas erigidas em uma destas.

Em pontos dispersos pela cidade, registavam-se ainda incêndios esporádicos, alimentados pela queima de pneus.

O Movimento 05 de Junho exige a dissolução do Governo, a formação de um executivo, do qual designaria o primeiro-ministro, bem como a substituição de nove membros do Tribunal Constitucional, acusados de articulação com o poder político.

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