Qualidade do emprego criado “é muito baixa”- Carvalho da Silva

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O investigador Carvalho da Silva considerou hoje que os dados do INE revelam que a qualidade do emprego criado é “muito baixa”, já que “há muita gente a trabalhar com pequenas cargas horárias” e, consequentemente, com baixas remunerações.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou hoje, pela primeira vez, um indicador sobre a subutilização do emprego, que é “uma medida mais abrangente” da situação atual do mercado de trabalho por incluir as situações de subemprego, mas também os desencorajados e os inativos.

Segundo o INE, no final do segundo trimestre deste ano, havia 903,3 mil pessoas em situação de subutilização do emprego (ou seja, 16,6%), o que corresponde a “praticamente o dobro” do número de desempregados, que totalizou as 461,4 mil pessoas (ou seja, 8,8%) no mesmo período.

Em declarações à Lusa sobre esta matéria, o investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra afirmou que há “um agravamento grande da subutilização do emprego” e considerou que isso, “em grande parte, significa que há muita gente a trabalhar com pequenas cargas horárias, que não correspondem ao que as pessoas desejam”, revelando também que “a qualidade do emprego que tem sido criado, em muitos casos, é muito baixa”.

Para o antigo líder da CGTP, “há várias medidas que são positivas, mas há muitas insuficiências” no que se refere à criação de emprego de qualidade e de combate à precariedade.

Um exemplo de “medidas positivas” apontado por Manuel Carvalho da Silva é o aumento “com algum significado” do salário mínimo nacional, porque, no caso dos novos contratos celebrados, “é um dos fatores que tem evitado que a retribuição do trabalho para os jovens, em particular, seja ainda mais baixa”.

Reconhecendo que “há outras medidas em geral que são importantes”, Carvalho da Silva entende que “o fenómeno de existência de uma taxa de subemprego elevada e de uma taxa de subutilização do trabalho muito elevada não está resolvido”.

Isto porque – acrescentou o investigador – “a qualidade do emprego que tem sido criado é de muita volatilidade” e “há uma rotatividade imensa do trabalho e uma baixa remuneração”, pelo que “é ainda muito insuficiente o conjunto de medidas que tem sido adotado”.

Já questionado sobre de que forma se pode reduzir a subutilização do emprego, Carvalho da Silva defendeu que isso passa por “combater a precariedade com uma visão estratégica”, “incentivar a melhoria significativa das remunerações e das condições de trabalho dos jovens trabalhadores” e também “dinamizar a contratação coletiva”.

“Se a contratação coletiva funcionasse em pleno, muitos destes aspetos do subemprego e das baixas remunerações eram polonizadas em sede de negociação coletiva e podia dar-se uma ajuda muito grande à diminuição desta percentagem que não para de ser preocupante”, disse ainda o investigador, concluindo que é preciso “uma atitude muito mais ofensiva em relação à melhoria da qualidade do novo emprego”.

Carvalho da Silva deixou ainda uma nota positiva para o facto de o INE começar a divulgar este indicador porque, para “olhar com rigor e com sentido crítico” o mercado de trabalho, é preciso observar as várias realidades, sobretudo depois da crise económica que se viveu e que “acentuar o desfasamento entre o desemprego e o desemprego em termos latos”.

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