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RCA: Militares portugueses em nova operação contra rebeldes no noroeste do país

Lisboa, 24 ago 2020 (Lusa) — A 7.ª Força Nacional Destacada, um contingente de 180 elementos, maioritariamente paraquedistas, está hoje envolvida numa nova operação contra rebeldes no noroeste da República Centro-Africaca (RCA), região de Bocaranga, junto às fronteiras com Chade e Camarões.

Segundo comunicado do Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA), trata-se de uma missão conjunta com forças de capacetes azuis (das Nações Unidas) nepaleses, que conta ainda com apoio aéreo de helicópteros do Paquistão e do Sri Lanka.

O objetivo “é a proteção de civis, através da dissuasão e restrição de movimentos de elementos armados afetos ao grupo 3R (Regresso, Reclamação, Reconciliação) que, em manifesto incumprimento com o estipulado nos acordos de paz assinados em fevereiro de 2019 com o Governo da RCA, se encontra a hostilizar a população e a operar fora da Região de Koui (25 km a oeste de Bocaranga), à qual deveria estar circunscrito”.

Os militares portugueses estão a utilizar, “pela primeira vez, as novas viaturas blindadas VAMTAC ST5, do Exército, as quais foram recentemente enviadas para a RCA, garantindo maior capacidade de proteção, mobilidade e poder de fogo”.

Os elementos empenhados nesta operação saíram da capital, Bangui, por via terrestre e deslocaram-se cerca de 550 quilómetros, durante cinco dias, “por força das condições meteorológicas e do terreno”.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no âmbito de missões das Nações Unidas e da União Europeia.

A poucos meses das eleições presidenciais, previstas para dezembro, a RCA continua a ser palco de violência por parte de milícias e grupos armados.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do então Presidente da RCA, François Bozizé, por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

Desde então, o território centro-africano tem sido palco de confrontos comunitários entre estes grupos, que obrigaram quase um quarto dos 4,7 milhões de habitantes da RCA a abandonarem as suas casas.

O Governo centro-africano controla um quinto do território, sendo o resto dividido por mais de 15 grupos que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Após seis anos de exílio no estrangeiro, Bozizé regressou à capital do país, Bangui, em dezembro de 2019.

O antigo chefe de Estado continua sob sanções aplicadas pela na ONU devido ao seu papel no conflito, incluindo pelo seu apoio às milícias cristãs anti-Balaka.

Recentemente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a prorrogação do embargo de armas na RCA por mais um ano.

Um acordo de paz foi assinado em Cartum, capital do Sudão, em fevereiro de 2019 por Governo e por 14 grupos armados, e um mês mais tarde as partes entenderam-se sobre um governo inclusivo, no âmbito do processo de paz.

 

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