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Rei morto, rei (rainha) posto.

Rainha Elizabeth II, do Reino Unido, foi coroada há 66 anos

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A Coroação de Elizabeth II aconteceu no dia 2 de junho de 1953 e marcou o início do seu reinado como soberana do Reino Unido.

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Na verdade, Elizabeth já havia assumido o trono britânico lI logo após a morte do seu pai, a 6 de fevereiro de 1952. A coroação acabaria por só ter lugar um ano e meio depois, de forma a cumprir-se o tradicional período de luto.

Naquele dia de chuva, a Abadia de Westminster foi aberta às 6 horas da manhã, para cerca de 8 mil convidados.

Uma Coroa por Destino

A princesa Elizabeth Alexandra Mary recebeu a notícia da morte do pai, George VI, no Quénia, ponto de passagem numa visita oficial que fazia por África. A partir daí, a sua vida não mais foi a mesma. Mas aquele era um momento para o qual vinha sendo preparada há muito. Com efeito, aos 21 anos, num acto oficial ao serviço da monarquia, fez a promessa que acabaria por delinear a sua vida: “Diante de todos vocês, declaro que toda a minha vida, seja curta ou longa, estará ao serviço de todos os membros da família e do Império a que todos pertencemos.”

A cerimónia de coroação foi formal, como não podia deixar de ser. Mas, na prática, não alterou nada a vida de Elizabeth II. Sendo primeira na linha de sucessão, tornou-se oficialmente rainha quando o pai morreu.

O histórico dia começou cedo, muito cedo. A cerimónia, essa, começou às 11h15 e foi dividida em 6 momentos: reconhecimento, juramento, unção, investidura, entronização e a homenagem.

Elizabeth II levava um vestido criado pelo estilista britânico Norman Hartnell, feito de cetim branco e com os elementos do Reino Unido e Commonwealth bordados em fio de ouro e prata. Além disso, envergava o Manto Real feito em veludo e com mais de 5 metros de comprimento, com a cauda apoiada por 7 Damas de Honor. O bouquet da coroação era composto por flores brancas: orquídeas e lírios de Inglaterra, jasmins de Madagáscar da Escócia, orquídeas do País de Gales e cravos da Irlanda do Norte.

O arcebispo de Canterbury coroou a rainha colocando a coroa de São Eduardo na sua cabeça, enquanto a multidão gritava “Deus Salve a rainha”.

Com o Cetro do Soberano numa mão e a Esfera do Soberano na outra, a rainha Elizabeth II foi oficialmente coroada como monarca. A coroa – com 1,2 quilos – foi feita para a coroação de George VI, em 1937 e é composta por 2.868 diamantes, 17 safiras, 11 esmeraldas e centenas de pérolas.

Espectáculo televisivo

Assistiram à coroação cerca de 3 milhões de pessoas ao longo das ruas de Londres, para saudar a rainha. A cerimónia – que durou cerca de 3 horas – foi o primeiro evento da realeza transmitido pela televisão. Na época, foi mesmo o maior acontecimento dos Media.

Estima-se que 25 milhões de pessoas tenham assistido à celebração. Mais de 2 mil jornalistas e 500 fotógrafos de 92 países estiveram presentes neste acontecimento mundial. Entre eles, Jacqueline Bouvier, que viria mais tarde, por via do casamento, a tornar-se Jacquie Kennedy, primeira-dama dos Estados Unidos da América.

Após a coroação, a rainha seguiu para o Palácio de Buckingham no Gold State Coach, o coche construído em 1762, puxado por 8 cavalos e que pesa 4 toneladas.

É folheado a ouro e decorado com painéis pintados. É apenas um dos mais de 100 coches e carruagens que a monarquia britânica possui.

Durante a coroação, 160 aeronaves sobrevoaram o Palácio de Buckingham. Foram 11 horas de transmissão televisiva, com uma audiência estimada de 20 milhões de pessoas, ou seja, 40% da população britânica.

Elizabeth II, nascida para reinar

Elizabeth nasceu a 21 de abril de 1926, em Londres. Em 1930 nasceu a irmã, a princesa Maregaret, que viveu sempre na sombra.

O seu pai, o duque de York, era o segundo filho de George V e, por isso, não estava destinado a ser rei.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Elizabeth fez transmissões de rádio para ajudar e animar os espíritos de outras crianças. Apoiou instituições de caridade e, com 18 anos, ingressou no Serviço Auxiliar Territorial Feminino e treinou como motorista e mecânica.

Fez a sua primeira viagem real com os pais em 1947, à África do Sul.

Conheceu o marido (Philip Mountbatten) em 1934, quando tinha apenas 8 anos. Philip era um príncipe grego, cuja família tinha sido enviada para o exílio em 1922. Depois de um encontro em 1939, quando Elizabeth tinha apenas 13 anos, ela declarou estar apaixonada por ele, agora já Cadete da Marinha Real Britânica. Os dois começaram a escrever um para o outro de forma regular. O namoro foi interrompido por causa da Segunda Guerra Mundial, mas viria a ser retomado no fim do conflito. O noivado foi anunciado em 1947 e casaram a 20 de novembro desse ano, na Abadia de Westminster. Philip recebeu o título de duque de Edimburgo.

Concessões para a sobrevivência da monarquia

Muita coisa mudou desde a entronização de Elizabeth II. De vez em quando, levantam-se vozes que exigem o fim da monarquia, por questionarem o seu significado político. Em meados da década de 1990, ainda na oposição, o Partido Trabalhista chegou mesmo a sugerir a abolição da autoridade da coroa para dissolver a Câmara dos Lordes.

Até agora, contudo, a monarquia na Grã-Bretanha tem conseguido sobreviver, mesmo que cada vez mais tenha de fazer concessões ao avanço republicano. Por exemplo, o facto de a rainha também ter de pagar impostos.

Elizabeth II é descrita como modesta. Para a opinião pública, raramente deixa transparecer os seus sentimentos. Uma das poucas excepções foi em 1992, o ano do incêndio em Windsor e dos divórcios reais, quando se separaram o príncipe Charles e Diana, e o príncipe Andrew e Sara Ferguson. A rainha já admitiu serem datas que prefere não lembrar.

Após 66 anos no trono – o que lhe confere o título de rainha com o maior reinado do mundo – não há expectativas para quem e quando vai Elizabeth II entregar o ceptro. Especula-se que a coroa seja transmitida directamente ao príncipe William, filho mais velho de Charles.

Até lá, o hino da Grã- Bretanha continuará a dizer “Deus salve a Rainha!”.

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