Rio diz não ter “apego pessoal” ao lugar de líder do PSD, mas dever de “serviço público”

O presidente do PSD, Rui Rio, afirmou hoje não ter apego pessoal ao cargo e que será por dever de “serviço público e respeito pela história do PSD” que decidirá ficar ou não na liderança do partido se perder as legislativas.

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Em entrevista à TVI, o líder do PSD foi questionado se se manterá no cargo se o partido tiver o mesmo resultado que nas europeias de 26 de maio, nas quais não chegou aos 22% dos votos.

“Vai depender de muitos fatores. O apego que eu tenho – meu, pessoal – ao lugar, não é nenhum, é a tal vantagem de já ter 60 anos. O meu apego ao lugar deriva da obrigação de serviço público e do respeito que eu tenho à história do PSD e isso pode-me fazer ficar ou não ficar”, afirmou.

Na entrevista, Rio admitiu que a tarefa de ser líder do PSD “neste momento histórico” do partido é “particularmente difícil”, mas rejeitou críticas internas de centralismo ou de impor as suas ideias na Comissão Permanente, na sequência da demissão do vice-presidente Castro Almeida, que não comentou diretamente.

“Quem me conhece bem sabe exatamente que não. Só quando tenho relativamente a uma matéria uma convicção, aí sou inabalável. Aí não vale a pena fazer reuniões que não mudo de opinião, mas isso são coisas pontuais, no dia a dia não”, afirmou, apontando as críticas ao funcionamento da justiça como uma matéria em que tem posições definidas há muito.

Pelo contrário, referiu o quadro macroeconómico apresentado na semana passada pelo PSD como um exemplo de grande discussão interna, tal como a possibilidade de o programa prever ou não o regresso das 40 horas de trabalho semanais para os funcionários públicos.

“Confesso que, quando debatemos o programa, que está praticamente concluído, perdemos umas horas com essa questão. A conclusão política a que se chegou é que vamos fazer um esforço para pôr cá fora uma solução que não precise à cabeça de voltar a passar das 35 para as 40 horas”, afirmou.

Rio lamentou que, atualmente, a maior qualidade de um político seja a “resistência” e explicou que, no dia a dia, não pode questionar os membros da sua Comissão Permanente (o núcleo duro da direção) sempre que é confrontado pela comunicação social.

“Muitas vezes, quando saio de uma reunião sobre saúde e o tema que está a dar é educação e colocam-me a pergunta, eu não posso dizer ‘alto, que vou telefonar aos membros da Comissão Permanente'”, afirmou.

Questionado se vai admitir críticos na lista de candidatos a deputados do PSD, Rio fez questão de distinguir os que apoiaram o seu adversário Santana Lopes na disputa interna dos que foram desleais depois da sua vitória.

“O que não me é indiferente é não haver lealdade, pode-se até discordar de forma leal”, afirmou, apontando que, no caso de críticas feitas por fontes anónimas, consegue perceber “com facilidade” quem são.

Sobre o seu programa macroeconómico, Rio explicou que assenta em distribuir a ‘folga’ de 15 mil milhões de euros que diz existir – com base na previsão de crescimento do PIB entre 2019 e 2023 – entre redução de impostos (3,7 mil milhões), reforço do investimento público (3,6 mil milhões) e reforço da despesa corrente (7 mil milhões).

“O desafio aqui que temos é controlar muito bem a despesa corrente”, afirmou, defendendo que tal passa por “uma otimização de serviços”, que pode levar à realização de auditorias de gestão aos departamentos mais gastadores.

Sem dizer como vai responder às reivindicações de professores ou se aumentaria os funcionários públicos e pensionistas para lá da inflação, Rio insistiu em que o caminho para o país tem de passar pelo controlo da despesa.

“Não é o que tem sido seguido pela esquerda, de mais impostos e mais despesa”, afirmou.

Questionado se o eurodeputado do PSD Álvaro Amaro deveria ter renunciado ao mandato depois de ter sido constituído arguido, Rui Rio reiterou que, em todos os casos, deve ser respeitado o princípio da presunção da inocência, pelo menos até existir uma primeira condenação.

“Desgosta-me e revolta-me ver na praça pública pessoas a serem chacinadas com julgamentos populares”, criticou, considerando que não foi “para isto” que se fez o 25 de Abril.


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