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06/11/2019 11:38

RTP e Tânia Ribas de Oliveira arrasados após entrevista a neonazi

Tânia Ribas de Oliveira e a RTP estão “debaixo de fogo” depois de terem dado tempo de antena a um neonazi, condenado por crimes de ódio.

A apresentadora entrevistou durante o programa ‘A Nossa Tarde’, um casal que tinha dificuldade em ter filhos mas que agora são pais de trigémeos.

A polémica instalou-se nas redes sociais quando se percebeu que o pai das crianças era Nuno Cláudio Cerejeira, um neonazi condenado por crimes de ódio e que esteve envolvido nas agressões raciais que, “em 1995 provocaram dezenas de feridos e que levariam à morte de Alcindo Monteiro”.

SOS Racismo critica RTP

A associação SOS Racismo reagiu ao caso e emitiu um comunicado a criticar a estação de televisão.

“Não podemos ignorar que, numa altura em que os discursos de ódio vão ganhando espaço e legitimidade institucional um pouco por toda a Europa, a televisão pública em Portugal eleja por modelos familiares propagandistas da causa neonazi”, afirma a associação.

Leia aqui na íntegra

“No passado dia 24 de Outubro a RTP, através do programa “A nossa tarde”, divulgou uma peça onde se apresentava um retrato familiar envolvendo Nuno Cláudio Cerejeira, de quem se contaram as peripécias recentes enquanto “pai de trigémeos”.

Nada de invulgar no caso, não fosse o referido “pai extremoso” Nuno Cláudio Cerejeira ser também um dos envolvidos nos episódios de agressões raciais que, em 1995, provocaram dezenas de feridos e que levariam à morte de Alcindo Monteiro.

O referido indivíduo, além de condenado a prisão efetiva por crimes de ofensas corporais e pelo seu envolvimento nesses atos de violência extrema é, também, um atual e persistente militante da causa neonazi. Como é do conhecimento público, é um dos elementos dos Hammerskins em Portugal, organização internacional criminosa e neonazi, proprietário do Club 38, local conhecido como uma “skinhouse”, frequentado por neonazis, e membro da Luz Branca, outra associação racista cujo propósito era prestar solidariedade apenas a “crianças brancas”. No seu cardápio inclui-se ainda condenações em tribunal por crimes de roubo, sequestro, coacção e posse ilegal de armas

Desconhecemos se a direção de programas da RTP ignora ou é alheia aos factos em causa;

Desconhecemos se a direção de programas da RTP é indiferente à possível dissonância entre a candura paternal de uma pessoa com um bebé ao colo ostentando, ao mesmo tempo, tatuagens visíveis com simbologia fascista e nazi;

Desconhecemos se a equipa do programa “A nossa tarde”, no seu esforço de divulgação de contextos familiares equilibrados e harmoniosos, inclui nesse esforço a família de Alcindo Monteiro, irremediavelmente maculada com o comprovado contributo do referido indivíduo;

Desconhecemos se o tempo de antena utilizado para a exibição da paz familiar de um neonazi não previu, por desresponsabilização ou por ignorância, a possível repercussão no seio familiar das suas vítimas.

Mas não podemos ignorar que, numa altura em que os discursos de ódio vão ganhando espaço e legitimidade institucional um pouco por toda a Europa, a televisão pública em Portugal eleja por modelos familiares propagandistas da causa neonazi.

E registamos que, numa época em que a cavalgada populista da direita de cara lavada parece conquistar adeptos e visibilidade também em Portugal, a televisão pública, paga com dinheiro dos contribuintes, opta por suavizar a imagem de um indivíduo comprovadamente envolvido num crime de ódio racial, acerca do qual nunca demonstrou arrependimento por um segundo televisivo que fosse.

Por tudo isto, o SOS Racismo não só condena a normalização da imagem de um individuo racista e que perfilha assumidamente a ideologia fascista, como exige esclarecimento e tomada de posição pela Tutela da televisão pública, pelo conselho de administração e direção editorial da RTP.

Porto, 5 de novembro de 2019
SOS Racismo”

RTP reage e diz desconhecer passado do entrevistado

A RTP respondeu à polémica. Através de uma publicação no Facebook, o programa da estação afirma ter desconhecimento do passado de Nuno Cláudio.

“A coordenação do programa A Nossa Tarde não teve nenhum conhecimento sobre os antecedentes criminais do pai, nem tão pouco das suas convicções políticas. Nunca o teríamos recebido, se soubéssemos. Lamentamos muito o sucedido e pedimos desculpa a todos quantos se tenham sentido ofendidos”, pode ler-se.

Redação

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