Saída da UE aumentaria custos comerciais na indústria que cortaria inovação para metade – estudo

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A saída da União Europeia levaria a um aumento de 25% dos custos comerciais na indústria portuguesa de moldes, o que “reduziria para metade a inovação e a produtividade em 4%”, revela um estudo publicado recentemente.

A conclusão consta de um ‘paper’ do economista Carlos Daniel Santos, publicado na edição de agosto do ‘Economic Journal’, intitulado ‘Sunk Costs of R&D, Trade and Productivity: The Moulds Industry Case’, que se foca no caso da indústria portuguesa de moldes.

Além dos ganhos de especialização inerentes, nomeadamente mais produção e mais investimento, pertencer a uma área comercial comum, no caso em concreto a União Europeia, traz ainda benefícios a nível da inovação e da produtividade porque, ao aceder a mercados estrangeiros, as empresas podem aumentar a produção e diluir os custos de inovação.

A investigação do professor da Nova School of Business and Economics procura avaliar o que acontece à inovação e à produtividade quando um país sai de uma área comercial no caso de uma indústria como a dos moldes em Portugal, que é essencialmente virada para os mercados externos e composta por empresas de pequena dimensão.

Os resultados apontam para um aumento de 25% nos custos comerciais, que por sua vez cortam a inovação em 50% e a produtividade em 4%.

Isto porque, como a inovação implica custos realizados que não podem ser recuperados (os chamados ‘sunk costs’), o facto de o acesso ao mercado ficar limitado leva a uma redução dos ganhos da própria inovação, que é maior nas indústrias mais competitivas.

No estudo, Carlos Daniel Santos foca-se na indústria portuguesa de moldes, cujas empresas têm custos não recuperáveis elevados para poderem desenvolver inovações e estima que um aumento de 25% nos custos comerciais teria também como efeito uma queda de 13% no número de empresas e de 50% na produção total.

No caso desta indústria, estas estimativas estão em linha com o desempenho desta atividade entre 1994 e 2004, período em que a indústria beneficiou muito do acesso das construtoras europeias de carros ao mercado português, o que se traduziu num aumento de 240% na produção e de 140% nas exportações.

O investigador conclui ainda que a saída de Portugal da União Europeia, tal como se debateu quando em 2011 o país pediu ajuda financeira internacional, iria reverter estes ganhos.

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