Sem-abrigo procura emprego no LinkedIn e usa redes sociais para pedir esmola

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Juan Mascuñano é sem-abrigo das ruas de Madrid, há quase 20 anos.

O homem de 56 anos não perde a esperança de voltar a conseguir um emprego que o faça mudar de vida e que lhe permita não dormir na rua.

É através das redes sociais que Juan pede ajuda.

Tem uma conta no LinkedIn, outra no Twitter, abriu uma conta no PayPal e tem duas páginas no Facebook, que usa para pedir esmola às pessoas e ganhar algum dinheiro.

O sem-abrigo é engenheiro informático que quer voltar a trabalhar. No perfil da sua página de LinkedIn, o homem dá-se a conhecer e não esconde a situação que vive.

“Situação pessoal: invalidez reconhecida a 76%, mas essa invalidez física não impede o meu trabalho como programador e tem benefícios fiscais tanto para a empresa como para mim.

Para deslocações grandes necessito de cadeira de rodas, mas consigo mover-me sem ela num escritório. Não tenho uma boa imagem de cara em público, por problemas na boca – não posso colocar implantes dentários – e pela minha invalidez física.

Também, salvo exceções, visto-me com roupa desportiva para poder mover-me na cadeira pelo metro e pelo autocarro. Esperando que isto não leve a nenhuma recusa e só examinem as minhas aptidões e a minha experiência, saúdo-os. Atentamente, Juan Mascuñano Torres”, pode ler-se.

O informático usa um computador antigo e aproveita a rede wireless do McDonald’s para ter acesso à Internet. Em declarações ao jornal El Confidencial, Juan diz que existe muita gente cética e que desconfia da verdade do perfil nas redes sociais e que por isso deixam de ajudar. “Queixam-se porque peço com tecnologia moderna, mas ter facebook é grátis.

O que me dão estou a converter em algo que me ajuda, em vez de me estar a embebedar ou a drogar-me”.

O espanhol contou ainda como foi parar às ruas de Madrid. “Separei-me da minha mulher e deixei de ver o meu filho, por isso caí no vazio.

Como não tinha responsabilidades de ter uma família, deixei o trabalho e quis tentar por conta própria. Correu mal.

No início, quando pedia, não via como algo sério mas, passado quatro anos, percebi que não ia sair mais daqui”.

“O que mais gostava era encontrar trabalho, mas com 56 anos e esta pinta que tenho…”, conta Juan, que tem esperança que a partilha da sua história o possa ajudar a reconstruir o futuro e que possa alterar a forma como os sem-abrigo são vistos.

Este artigo foi publicado originalmente no Correio da Manhã

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