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05/02/2020 09:31

Sem vaidades e celebrações, Solveig Nordlund é premiada pela carreira no cinema português

Por Lusa

Lisboa, 05 fev 2020 (Lusa) – A realizadora luso-sueca Solveig Nordlund está a trabalhar no argumento para dois filmes, gostava de voltar ao teatro e, na quinta-feira, é distinguida, em Lisboa, pela Academia Portuguesa de Cinema, sem grandes vaidades ou celebrações.

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Solveig Nordlund, de 76 anos, produtora, montadora, realizadora, argumentista, é uma das raras mulheres ligadas à história recente do cinema português, desde o início dos anos 1970, e permanece ainda em atividade, sendo agora distinguida pela Academia Portuguesa de Cinema com o Prémio Bárbara Virgínia.

A cineasta passou grande parte da vida em Portugal, depois de ter conhecido um grupo de jovens realizadores portugueses em Paris, nos anos 1960. Há cinco anos decidiu mudar-se para a Suécia, para a região da Costa Alta, onde trabalha numa casa virada para o mar Báltico.

Está em Lisboa para receber o prémio, mas também para rever a família e ter a luz portuguesa. “O que é mau na Suécia é a escuridão”, disse em entrevista à agência Lusa.

A Academia Portuguesa de Cinema atribui-lhe um prémio pelo “percurso profissional multifacetado ligado ao cinema, à televisão, à rádio e ao teatro, merecendo destaque as adaptações que tem feito de diversos autores nórdicos, cujos textos traduz e encena”.

“É sempre engraçado receber o prémio, mas não tem importância nenhuma. Claro que é simpático. E a academia tem sido muito atenciosa. Obrigada. Mas se não tivesse recebido o prémio também era a mesma coisa”, comentou.

É com o mesmo desprendimento que recorda o percurso no cinema e no teatro português, a relação que teve com realizadores como Alberto Seixas Santos – com quem se casou -, António-Pedro Vasconcelos, Manoel de Oliveira, João César Monteiro, João Botelho ou José Fonseca e Costa. Trabalhou com todos eles, como assistente e montadora.

É das mais prolíficas mulheres do cinema português, realizou longas e curtas-metragens de ficção, documentários, trabalhou para televisão, tem o nome inscrito no cinema de pendor mais fantástico, adaptou obras literárias de JG Ballard, Richard Zimler, Luíza Neto Jorge ou António Lobo Antunes, participou ativamente no cinema militante e coletivo no pós-25 de Abril de 1974.

À Lusa recordou que rumou a Paris aos 18 anos, depois de ter terminado o liceu em Estocolmo, não sabia bem o que queria fazer, mas vivia interessada em cinema, por causa da ‘Nouvelle Vague’. Foi em Paris que conheceu Alberto Seixas Santos, tendo rumado a Portugal em 1966.

Esteve ligada ao Centro Português de Cinema e à cooperativa de produção Grupo Zero, através da qual fez os primeiros filmes, como a longa-metragem de estreia, “Dina e Django”, de 1981, que será exibida na quinta-feira, na Cinemateca, por ocasião da entrega do Prémio Bárbara Virgínia.

Não há qualquer nostalgia de Solveig Nordlund a olhar para o passado, como contou à Lusa. Num tempo em que, em Portugal, o cinema era produzido e realizado sobretudo por homens, a cineasta admite que teve a seu favor o facto de ser estrangeira e de ter vivido com Seixas Santos.

“Nunca houve aquela coisa de que não era igual [a ele]. Se calhar também foi por eu ser estrangeira. Eu via as mulheres dos meus colegas cineastas ficarem em casa a cozinhar e a tomar conta das crianças. Conheço algumas que queriam trabalhar em cinema e não conseguiram”, contou.

O último filme de ficção que rodou em Portugal foi em 2011, com a adaptação de “A morte de Carlos Gardel”, de Lobo Antunes, juntando, depois, documentários sobre José Pedro Croft, sobre ela própria e sobre Mia Couto.

Trabalhou em teatro, foi encenadora, colaborou de perto com os encenadores Joaquim Benite e Luís Miguel Cintra até que, em 2015, nos anos difíceis da recessão económica em Portugal, decidiu mudar-se para a Suécia, sem querer perder a ligação com Portugal.

“Estava a ver que não conseguia ganhar a vida. Vendi o que tinha cá e comprei uma casa lá. Uma região muito bonita, com imensos artistas e muita atividade, é o berço da social-democracia”, contou.

A decisão de voltar para a Suécia, para uma região onde viveram os avós paternos, “talvez tenha a ver com a idade, de não querer envelhecer em Lisboa”.

Gostava ainda de adaptar a história verídica de “Dina e Django” para teatro, está a escrever dois argumentos e quer dedicar-se mais à gravura e à pintura.

“Ali em cima [na Suécia] expõe-se quando se quer. Eu tenho feito parte de grupos que expõem e circulam entre a Finlândia, a Noruega e a Suécia. Há muito bons artistas e nessa zona é um bocadinho… as pessoas não são vaidosas”, disse.

O Prémio Bárbara Virgínia foi instituído em 2015 pela Academia Portuguesa de Cinema e distinguiu já a anotadora, atriz e realizadora Júlia Buisel, a colorista Teresa Ferreira e as atrizes Laura Soveral e Leonor Silveira.

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