“O senhor é o presidente do amor, Deus o ajude e guarde”

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No lugar de Pescanseco Cimeiro, Pampilhosa da Serra, Maria da Conceição ofereceu hoje uma garrafa de aguardente, retirada do pouco que conseguiu salvar das chamas, a um surpreendido e emocionado Marcelo Rebelo de Sousa.

A casa de Maria da Conceição ficou parcialmente destruída pelo incêndio que deflagrou no último domingo e que destruiu metade da aldeia, hoje situada a meio de uma encosta onde predomina o negro a perder de vista. A idosa, como os poucos vizinhos que ali residem, não tem água nem luz em casa desde o incêndio.

Hoje, perante a visita do Presidente da República, pediu um telemóvel para fazer de lanterna, entrou numa das poucas divisões da casa que ficaram intactas e, do meio do que ali se amontoava, retirou uma caixa por si decorada e uma garrafa de aguardente.

“O senhor é o presidente do amor, Deus o ajude e guarde”, disse Maria da Conceição a Marcelo Rebelo de Sousa, estendendo-lhe a prenda. Surpreendido, o Presidente da Republica ainda tentou recusar mas acabou por aceitar, garantindo que não ia beber a aguardente e sim guardá-la o resto da vida.

É “um mundo de pernas para o ar”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, já em Arganil, outro dos concelhos, a exemplo do da Sertã, que visitou ao longo do dia de hoje, quando questionado pela agência Lusa sobre a sensação de receber uma prenda de alguém que perdeu tudo nos incêndios.

“Foi o que eu lhe disse. Porque quem precisava de receber tudo era ela e ela deu-me a mim aquilo que era do pouco que lhe restava, uma garrafa de aguardente com uma caixa que tinha feito, no meio de escombros, daquilo que tinha salvo, depois de ter ardido e perdido muito”, assinalou o Presidente da República.

Isto mostra a generosidade ilimitada dos portugueses mas mostra também a responsabilidade enorme daqueles que mais têm, dos privilegiados, perante os que menos têm, mais sofreram e sofrem com as catástrofes

Antes, na Pampilhosa da Serra, Marcelo Rebelo de Sousa visitou um centro de recolha de bens ali instalado após os incêndios de 15 e 16 de outubro e mostrou-se admirado por ser “a primeira vez” que viu loiça num local do género – onde habitualmente se concentram bens alimentares e vestuário – e não se coibiu de dar alguns conselhos aos voluntários sobre a organização do espaço.

Na Sertã, distrito de Castelo Branco, por onde começou a visita de hoje a concelhos do interior centro do País afetados pelos incêndios, Marcelo Rebelo de Sousa avisou para a necessidade do apoio psicológico às populações. Isto depois de, em Troviscaínho, ter confortado Beatriz Domingues, idosa ali residente que perdeu “tudo” no incêndio, mas salvaguardou a casa.

“Foram os quintais, as oliveiras, foi tudo embora. É tudo muito triste”, lamentou a idosa.

Este artigo foi publicado originalmente no Diário de Notícias

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