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Sporting: Bruno de Carvalho questionou quem estava com ele “acontecesse o que acontecesse”

epa08005317 Former Sporting president, Bruno de Carvalho, just before entering the Monsant Court where begins today the Sporting academy assault trial, Lisbon, Portugal, 18 November 2019. On 15 May 2018, about 50 masked individuals, allegedly Sporting supporters, invaded the Academy of Alcochete and, having gone through the lawns, arrived at the main resort's soccer club, assaulting several players, Bas Dost, Acuña, Rui Patricio, William Carvalho, Battaglia and Misic members of the technical team. EPA/MANUEL DE ALMEIDA

Lisboa, 02 dez 2019 (Lusa) — O antigo coordenador de segurança da Academia de Alcochete disse hoje que o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho reuniu com o ‘staff’ um dia antes do ataque, perguntando “se estavam com ele, acontecesse o que acontecesse”.

A revelação foi feita por Ricardo Gonçalves, à data dos factos coordenador de segurança e operações da Academia de Alcochete, na sétima sessão do julgamento da invasão à academia, em 15 de maio de 2018, que decorre no Tribunal de Monsanto, em Lisboa.

A testemunha relatou que o antigo presidente do clube, um dos 44 arguidos no processo e que hoje marca presença no tribunal, reuniu em 14 de maio de 2018, na academia de Alcochete, com elementos do ‘staff’ de apoio à equipa principal do Sporting, após o jogo na Madeira, com o Marítimo, que a equipa ‘leonina’ perdeu por 2-1, falhando a possibilidade de se qualificar para a Liga dos Campeões.

“[Nessa reunião] questionou os presentes se estariam com ele, acontecesse o que acontecesse. A equipa estava a atravessar um mau momento, pois perdemos com o Marítimo, o que nos impediu de seguir na Liga dos Campeões. Disse [Bruno de Carvalho] que tínhamos muito trabalho pela frente, um título ainda para vencer [Taça de Portugal] e, naquela reunião, quis saber quem estava com ele, acontecesse o que acontecesse. Quem não estivesse, que saísse”, explicou Ricardo Gonçalves.

Já no final da sessão da manhã, Miguel Fonseca, advogado de Bruno de Carvalho, pediu ao coletivo de juízes a nulidade desta parte do depoimento de Ricardo Gonçalves, sustentado tratar-se de “conversas privadas”, que não têm interesse para o processo. O coletivo de juízes terá agora de decidir sobre este requerimento.

À saída do Tribunal de Monsanto, Bruno de Carvalho não prestou declarações aos jornalistas.

Ricardo Gonçalves relatou ainda uma outra reunião, ocorrida em 07 de abril de 2018, só com o plantel, dois dias após uma derrota com o Atlético de Madrid, e o ‘post’ publicado na rede social Facebook pelo antigo presidente do clube, a criticar os jogadores.

A testemunha explicou que os elementos do ‘staff’ não participaram nessa reunião, ficando do lado de fora do auditório, mas que foi possível ouvir “discussão, pois os ânimos exaltaram-se e as vozes aumentaram”.

Ricardo Gonçalves disse ter ouvido Bruno de Carvalho a chamar o guarda-redes Rui Patrício de “ingrato, armado em diva, vedeta e mimado”. A testemunha afirmou que ouviu igualmente o jogador William Carvalho a acusar Bruno de Carvalho de ter telefonado a Nuno Mendes ‘Mustafá’, líder da claque Juventude Leonina, para “ameaçar e agredir os jogadores”, ao que o antigo presidente do Sporting respondeu que “não fez nada disso” e que ia telefonar a ‘Mustafá’.

“Estava a ficar constrangido ao ouvir tudo aquilo e afastei-me”, referiu o antigo coordenador de segurança e operações da academia de Alcochete, que continua a ser inquirido da parte da tarde.

Após estas declarações, Bruno de Carvalho levantou-se da cadeira e bateu na porta de vidro que separa a sala dos arguidos da dos juízes e dos advogados, no sentido de chamar o seu advogado Miguel Fonseca, que viria a falar com o arguido alguns minutos depois.

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