Tancos: assaltantes devolveram uma caixa a mais

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Uma caixa contendo material militar que não constava da lista inicial do roubo de Tancos foi encontrada entre os caixotes recolhidos há duas semanas pela Polícia Judiciária Militar na Chamusca após denúncia anónima, segundo informou esta manhã o Chefe de Estado-Maior General do Exército, general Rovisco Duarte.

O general não quis especificar o conteúdo da caixa, mas considera “compreensível” atendendo a “problemas de registo” do chamado “material volante”. Segundo Rovisco Duarte, o material que se encontrava nos paióis é usado para a instrução, razão pela qual muitas vezes há um atraso nos registos entre o material que é levantado e o que é devolvido.

A revelação foi feita no decurso de uma conferência de imprensa para anunciar o fim do “Plano Tróia”, a operação organizada pelo Exército entre 2 e 31 de outubro para retirar todo o material militar que se encontrava nos 19 paióis de Tancos.

Esta manhã, perante os jornalistas, saiu da Unidade de Apoio Geral de Material do Exército o último comboio de viaturas carregado com os equipamentos que se encontravam em Tancos. Este último comboio era composto de quatro camiões (mais um com uma empilhadora), sendo que um era da Marinha, supostamente devido ao tipo de material transportado. Era acompanhado por outras viaturas, incluindo da Polícia do Exército e uma ambulância.

O general Rovisco Duarte considerou-se “muito satisfeito” pela conclusão desta operação, que só foi realizada em outubro devido às condições metereológicas. O material tansportado esta terça-feira destinava-se aos paióis do Exército localizados em Alcochete. Outro material foi colocado em Marco do Grilo (Seixal), onde existem paióis à guarda da Marinha, e em Santa Margarida (Exército).

PLANO TRÓIA: 1100 TONELADAS DE ARMAMENTO TRANSFERIDO

Ao todo, foram transferidas mil paletes, num total de 1100 toneladas de armamento, envolvendo 51 militares e mais de 30 viaturas e equipamentos pesados, entre os quais cinco camiões e plataformas, cinco viaturas táticas ligeiras, uma ambulância e quatro empilhadores.

O CEME defendeu também que deve haver uma “análise integrada das estruturas” capazes de albergar material militar para rentabilizar as que existem e, eventualmente, impedir que haja novos incidentes como o do assalto de Tancos. Em Marco do Grilo, por exemplo, os paióis da Marinha ficaram vazios depois dos Estados Unidos e o Reino Unido teram levantado o material que lá se encontrva. Em Alcochete (Força Aérea), por outro lado, existiam também paióis vazios.

“Não fazia sentido manter” os paióis de Tancos, disse o general Rovisco Duarte, admitindo que ao longo dos anos houve “erros estruturais e erros sistémicos” na filosofia seguida pelo Exército quanto às instalações.

O general considerou que o sistema de vigilância que vigorava em Tancos era obsoleto e começou a dar problemas logo em 2002 e, na sequência do fim do Serviço Militar Obrigatório, em 2004, agravaram-se mais ainda devido à falta de efetivos. É nessa linha que foi decidido atribuir a chamada “segurança periférica” dos paióis a quatro unidades distintas, em sistema de rotação.

Segundo o CEME, “não houve uma análise integrada não só do Exército mas de toda a gente, em termos de racionalização das infraestruturas. Quando surge este incidente, percebeu-se que não fazia sentido manter Tancos”. É uma questão de “gestão de recursos”, adiantou.

Rovisco Duarte disse que está em estudo uma proposta para reconverter os paióis de Tancos num campo militar, à semelhança do de Santa Margarida, para aproveitar as “sinergias” permitidas pela proximidade entre as duas instalações. Para já, as instalações de Tancos serão sujeitas a vigilância para não serem vandalizadas.

Este artigo foi publicado originalmente no Expresso

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