Tudo o que precisa de saber sobre sexualidade durante a gravidez

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A gravidez provoca inúmeras alterações na vida dos futuros pais. Novas preocupações, atividades e tarefas surgem no quotidiano destes, numa verdadeira jornada de preparação para receber o bebé.

Por entre todas as mudanças, o casal acaba, muitas vezes, por abdicar de coisas essenciais para a sua dinâmica.

Seja por medo, desconforto ou simplesmente por ausência de diálogo, um dos pilares do relacionamento – a intimidade – pode ficar seriamente abalado.

Nós sabemos: falar de sexo nem sempre é fácil. E, no centro de uma sociedade que continua a fazer tabu desta questão, falar de sexualidade na gravidez torna-se ainda mais complicado. Não é puritanismo nem falta de desejo.

Trata-se de uma noção social que nos veda o caminho da palavra e que vem, de alguma forma, impedir que se consiga ter uma conversa sincera e aberta sobre sexo na gravidez, mesmo que seja entre parceiros de vida.

Neste artigo, pretendemos romper o tabu e falar abertamente sobre o sexo na gestação.

Acompanhe-nos nesta jornada para saber mais sobre como viver sexualidade e gravidez da melhor forma, ficando a par de todos os seus prós e contras.

1. Um milénio de mitos

As maiores problemáticas, medos e receios que rodeiam a questão da sexualidade durante a gravidez não são novas. Na verdade são historicamente muito velhas, milenares.

Alguns mitos foram disseminados e chegam aos nossos dias, dizendo que a penetração pode ser responsável por abortos, que o coito é passível de magoar o bebé ou que as mulheres grávidas não sentem prazer sexual.

São fantasmas passados, que assombram as mentes do casal e que, muitas vezes, impede que estes mantenham uma sexualidade ativa e uma intimidade intacta.

Estas noções atravessaram as épocas e chegaram à atualidade, rodeando-se de outras, mais recentes, que as perpetuam e fortalecem.

Hoje em dia é também comum ouvir dizer que o bebé observa a atividade sexual, o que provoca, em homens e mulheres, um desconforto ainda maior no momento de se envolverem sexualmente.

Por entre os mitos, o sexo na gestação acaba por ser, muitas vezes, completamente suprimido. As implicações dessa supressão podem ser várias e bastante perigosas.

A perda da confiança da mulher – que, no centro das mudanças corporais já não se sente sensual ou desejada pelo marido; o medo masculino de estar a ser substituído pela criança – por não ter, já, da mulher, o mesmo afeto; a perda da intimidade e o afastamento do casal.

Este é um risco bem real que nasce dos mitos perpetuados. É assim que, aos poucos, se vai destruindo os alicerces de um relacionamento.

2. Do mito à realidade

No que respeita ao medo de magoar o bebé, não precisa de se preocupar.

Dentro do útero, rodeado pelos músculos do períneo, pelo saco gestacional e pela mucosa que veda a entrada uterina, o seu bebé está bem protegido e não será ferido durante a relação sexual.

O sexo na sua forma “tradicional” é, portanto, permitido durante a gravidez. Ainda assim, se não se sentir confortável com este tipo de contacto, lembre-se: sexo não é apenas penetração.

Existem várias alternativas viáveis para que possa viver a intimidade e que não envolvem o coito.

Jogos eróticos, fantasias, masturbação, sexo oral ou sexo anal são algumas das hipóteses para quem com elas se sentir confortável.

Depende tudo do diálogo e da imaginação do casal, devendo haver uma preocupação com a busca do prazer e do bem-estar de ambos.

Uma satisfatória sexualidade durante a gravidez poderá ajudar ambos a manterem o equilíbrio físico e emocional, ajudando ainda a fortalecer a cumplicidade do casal.

3. Os verdadeiros constrangimentos

No que diz respeito à sexualidade e gravidez nem tudo são mitos.

Existem alguns fatores que podem, efetivamente, constituir um constrangimento.

Para começar, algumas patologias (como spotting, deslocamento de placenta, perda de liquido amniótico ou gravidez de risco) podem fazer com que o especialista recomende a ausência de sexo na gravidez.

Nesta situação, o casal deve ser aberto e informar-se sobre o que será efetivamente vedado. Muitas vezes, embora o coito não seja recomendável, outras formas de sexualidade serão ainda permitidas e até incentivadas.

Além disto, é natural que as alterações físicas no corpo da mulher possam provocar alguns constrangimentos.

Em primeiro lugar, a sensibilidade vaginal, a tensão no peito, a fadiga e eventuais náuseas poderão fazer com que a mulher sinta desconforto em iniciar uma atividade sexual.

As mudanças do corpo, ao longo da gestação, podem também causar estranheza, tanto à mulher como ao homem e fazer com que o impulso sexual seja mais reduzido.

Por fim, o aumento do ventre feminino irá, no último trimestre, obrigar o casal a ser mais criativo quanto às posições adotadas, tornando-se impossível a tradicional posição de “missionário”.

Todos estes constrangimentos são, apesar de tudo, uma forma de estimular a relação, recorrendo à criatividade de ambos.

Afinal, falar de sexualidade na gravidez é também falar de uma oportunidade para explorar novas formas de se envolver com o seu parceiro.

Como vimos, a gravidez apresenta, portanto, uma verdadeira oportunidade para o casal explorar novas formas de se relacionar na sua intimidade sexual.

É um convite para descobrir novas posições e novas formas de prazer. A criatividade e a comunicação são as palavras-chave para que possa, sem medos, viver a sexualidade na gravidez.
Este artigo foi publicado originalmente no Bebé a Bordo

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