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Vakil deixa 33 anos de liderança da Comunidade Islâmica de Lisboa e espera “energia” do sucessor

Lisboa, 04 jul 2020 (Lusa) — Abdool Vakil vai deixar a liderança de 33 anos da Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL) e espera que o seu sucessor “tenha energia” para tudo, adiantando que ajudará Mohamed Ikbal sempre que necessário, mas sem interferir na sua atividade.

“Ele foi meu adjunto no Banco [Efisa]. Espero que ele tenha energia. Ele tem muita coisa para fazer. Tem muita coisa da Banca para trabalhar. Tem de ter tempo para tudo”, referiu Vakil, que foi presidente da CIL, durante 33 ano em declarações à Lusa.

O também recém-nomeado presidente honorário da CIL fazia um balanço da sua presidência, que durou mais de três décadas, observando que fez o melhor possível, mas houve coisas que não conseguiu concretizar.

“Foi uma experiência, todas pessoas têm os altos e baixos. Nada é perfeito, nem eu sou perfeito […] Houve coisas que tinha de fazer como a construção da Mesquita [Central de Lisboa]. Só agora – há um ano e tal – é que as coisas terminaram. Portanto, fico mais ou menos livre, embora haja coisas que gostaria de fazer ainda, até posso fazer mais tarde como presidente honorário, nomeado agora”, salientou.

Sobre o futuro, Abdool Vakil espera continuar a fazer coisas, revelando que tem uma ambição para a Comunidade Islâmica de Lisboa, que não foi possível concretizar no seu tempo.

“O principal era a parte da construção [da Mesquita Central de Lisboa] e isso já está feito. O meu sonho é ter ainda uma espécie de um ‘trust’ [fundo fiduciário], uma entidade suprema, que alimentasse a Comunidade Islâmica no futuro”, observou.

De acordo com Vakil, com um fundo a comunidade deixaria de ficar “dependente de coisas”.

À Lusa, o ainda presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa referiu ainda que durante o seu percurso nunca sentiu qualquer discriminação por parte dos portugueses.

“O povo português é muito amigo do outro. Nunca houve nenhuma agressão como acontece em alguns países”, atentou.

Segundo Abdool Vakil, existem em Portugal cerca de 50 mil muçulmanos, mas já foram 75 mil.

“Quando houve as crises na construção muitos emigraram para outros sítios”, disse.

Contactado pela agência Lusa, o líder eleito da Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL), Mohamed Ikbal escusou-se a prestar declarações antes da tomada de posse, marcada para domingo, às 11:00, na Mesquita Central de Lisboa.

Mohamed Ikbal, que foi vice-presidente da CIL, irá assumir um mandato para os próximos três anos.

Em 28 de junho, novo líder da CIL foi eleito com 64 votos, numa votação com “fraca afluência”, na qual participaram 75 pessoas, disse à agência Lusa o presidente da assembleia de voto, Osman Ibrahim, na ocasião.

A Comunidade Islâmica de Lisboa foi constituída em 1968 por um grupo de universitários muçulmanos, entre eles Abdool Vakil, que, na altura, se encontravam a estudar na capital portuguesa, oriundos das ex-províncias ultramarinas portuguesas.

A primeira solicitação de um terreno, feita à Câmara Municipal de Lisboa para a construção de uma Mesquita, foi em 1966, por uma comissão composta por cinco muçulmanos e cinco católicos, no entanto, só em setembro de 1977 foi cedido um terreno na Avenida José Malhoa.

O lançamento da primeira pedra aconteceu em janeiro de 1979 e a inauguração da primeira fase de construção realizou-se em 29 de março de 1985.

A Mesquita Central de Lisboa é um projeto dos arquitetos António Braga e João Paulo Conceição, e o seu imã é o xeque David Munir.

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