Vinho licoroso “Sol Engarrafado” renasce na Figueira da Foz ao fim de 40 anos

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O vinho licoroso “Sol Engarrafado”, que começou a ser distribuído na Figueira da Foz, em 1950, pelo proprietário de um armazém de vinhos, já falecido, renasce agora e quer ser emblema do município, disse hoje o promotor.

“Queremos que o ‘Sol Engarrafado’ seja um grande embaixador da Figueira da Foz. Agora, quando vamos a algum lado, a nível nacional e internacional, podemos levar o Sol e alguém que venha à Figueira pode daqui levar o nosso Sol também”, disse hoje à agência Lusa Lourenço Silva, responsável da empresa Dapaval, promotora da iniciativa.

A história associada ao “Sol Engarrafado” tem mais de 60 anos e começou num antigo armazém de vinhos junto à estação de caminho-de-ferro da cidade, onde Manuel Lopes, o proprietário, ouvia amiúde os visitantes exclamarem que o sol era o melhor que a Figueira da Foz tinha.

Na altura, em inícios da década de 1950, Manuel Lopes chegou a criar uns cartões da casa – onde sobressaíam pipos de vinho, cartazes de promoção turística da época, das festas da cidade e de touradas – para divulgar o negócio junto dos turistas nacionais e estrangeiros que demandavam à então Rainha das Praias de Portugal.

Face às “inúmeras visitas” que recebeu, o proprietário lembrou-se de passar a disponibilizar o licor, produzido em Almeirim, engarrafado no armazém em garrafas personalizadas por si próprio com os ditos cartões, que eram apostos nos recipientes de forma artesanal.

Chamou-lhe “Sol Engarrafado” e o sucesso foi “imediato”. “Oferecia sempre um cálice a todos os que o visitavam, nem que lá fossem três ou quatro vezes por dia”, lê-se na informação hoje disponibilizada.

O licor sobreviveu até finais da década de 1970, inícios dos anos 80, pela mão e vontade do seu criador, mas não resistiu à morte deste.

Agora, o grupo familiar de distribuição de produtos alimentares, azeites e bebidas – uma empresa com 35 anos de existência, 11 colaboradores e um volume de negócios estimado para 2017 de 2,1 milhões de euros – resolveu relançá-lo comercialmente.

“Eu, nesta vida comercial de vinhos, sabia que havia este dito ‘Barca Velha’ escondida há longos anos e queria colocá-lo no mercado”, ilustrou Lourenço Silva.

Falou com a família, o projeto avançou, foi desenvolvido nos últimos quatro anos e chega agora ao mercado com uma primeira série de 5.000 garrafas, com rótulos modernos, onde sobressai um sol estilizado.

Para além de querer que o licor sobressaia como embaixador da Figueira da Foz, Lourenço Silva pretende que a marca Sol Engarrafado possa vir a patrocinar “clubes recreativos desportivos e culturais e associações que passam por mais dificuldades no concelho”.

De acordo com o empresário, a inspiração para a recriação do licor partiu de Isabel João Brites, presidente da Associação Figueira com Sabor a Mar, entidade que promove produtos locais em mostras gastronómicas e outras iniciativas.

“Apelou a que investissem, uns pelos pastéis, outros pelo mundo do sal, outros pelo arroz, para que pudéssemos reviver o que a Figueira da Foz tem de melhor. E nós entendemos que era a altura de apostar no Sol Engarrafado”, explicou.

A apresentação pública do vinho licoroso está agendada para sábado, no Casino local, no âmbito da iniciativa “Figueira Doce Figueira”, mostra de doces promovida pela associação.

“Pretendemos ajudar a despertar consciências, tudo o que seja para dar uma vida mais glamorosa à Figueira da Foz”, disse Isabel João Brites.

Sobre a mostra de doces e pastelaria – que inclui as tradicionais brisas, mas também as brisas marítimas, figueirinhas, penhascos, enguias-doces ou o travesseiro do bispo – a responsável associativa disse que é organizada “para acabar definitivamente com a ideia de que não há nada [de doces] na Figueira da Foz”.

“Agora já há bastantes coisas e muitas com qualidade”, argumentou.

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