A Euribor é uma das palavras que mais vezes surge quando se fala de crédito à habitação, mas continua a ser um conceito pouco claro para muitas pessoas. Sempre que as prestações da casa aumentam ou diminuem, é comum ouvir dizer que “a culpa é da Euribor”. Mas afinal, o que é este indicador e porque consegue influenciar tanto o orçamento de milhares de famílias?
Nos últimos anos, a Euribor voltou ao centro das atenções depois de um longo período de valores muito baixos, chegando mesmo a ser negativa. As rápidas subidas das taxas de juro na Zona Euro fizeram disparar as prestações de muitos créditos à habitação, tornando este tema numa preocupação real para quem já tem empréstimos e para quem pensa comprar casa.
O que é, afinal, a Euribor?
A Euribor é a abreviatura de Euro Interbank Offered Rate. Em termos simples, representa a taxa média de juro a que um conjunto de grandes bancos europeus está disposto a emprestar dinheiro entre si.
Apesar de parecer um conceito distante da vida do dia a dia, esta taxa serve de referência para muitos contratos financeiros, sendo o crédito à habitação aquele onde os consumidores mais sentem os seus efeitos.
A Euribor existe em diferentes prazos, sendo as mais utilizadas em Portugal as de 3, 6 e 12 meses. O prazo escolhido depende do contrato celebrado com o banco.
Quando alguém assina um crédito com taxa variável, a prestação não depende apenas do spread definido pelo banco. Depende também da Euribor correspondente ao prazo contratado.
É precisamente esta combinação que determina a taxa de juro aplicada ao empréstimo.
Porque é que a Euribor faz subir ou descer a prestação?
O funcionamento é relativamente simples.
Imagine um crédito à habitação com um spread de 0,9% e indexado à Euribor a 6 meses.
Se, na data da revisão, a Euribor estiver nos 2,1%, a taxa aplicada ao empréstimo será de cerca de 3%, resultante da soma entre a Euribor e o spread.
Se alguns meses depois a Euribor subir para 3%, a taxa total passa para aproximadamente 3,9%, aumentando automaticamente a prestação mensal.
O contrário também acontece.
Sempre que a Euribor desce, a taxa de juro do crédito diminui e, na revisão seguinte, a prestação tende a ficar mais baixa.
É importante perceber que esta atualização não acontece todos os meses em todos os contratos.
Quem tem Euribor a três meses vê normalmente a prestação revista de três em três meses. Quem tem Euribor a seis meses tem revisões semestrais. Já nos contratos indexados à Euribor a doze meses, a prestação costuma ser atualizada apenas uma vez por ano.
Por isso, duas pessoas com empréstimos semelhantes podem estar a pagar prestações diferentes durante algum tempo, simplesmente porque os contratos são revistos em datas diferentes.
Porque é que a Euribor sobe e desce?
A Euribor não muda por acaso.
Este indicador reage sobretudo às expectativas dos mercados relativamente às decisões do Banco Central Europeu.
Quando existe inflação elevada, o Banco Central Europeu tende a aumentar as taxas de juro para travar a subida generalizada dos preços. Esse movimento acaba por influenciar a Euribor, que normalmente acompanha essa tendência.
Quando a inflação está controlada e a economia precisa de estímulo, o banco central pode reduzir as taxas de juro. Nesses períodos, a Euribor tende também a descer.
Embora exista uma relação muito próxima entre ambas, não são exatamente a mesma coisa.
A Euribor reflete aquilo que os mercados esperam para o futuro e pode começar a subir ou a descer antes mesmo de existirem decisões oficiais sobre as taxas diretoras.
É por isso que este indicador é acompanhado diariamente por bancos, empresas e investidores.
O impacto no orçamento das famílias
Para quem tem crédito à habitação com taxa variável, pequenas alterações na Euribor podem traduzir-se em diferenças significativas ao longo do ano.
Um aumento de algumas décimas pode representar dezenas de euros adicionais na prestação mensal. Ao fim de doze meses, essa diferença pode ultrapassar várias centenas de euros.
Naturalmente, o impacto depende de vários fatores.
O valor em dívida, o prazo restante do empréstimo, o spread contratado e a modalidade da taxa influenciam diretamente o resultado final.
Quem contraiu empréstimos elevados durante os anos em que a Euribor estava negativa sentiu particularmente as subidas registadas nos últimos anos, já que passou de prestações historicamente baixas para valores bastante superiores.
Por outro lado, quem contratou crédito mais recentemente já encontrou taxas mais elevadas e pode beneficiar mais rapidamente caso a Euribor continue a descer.
Ainda assim, ninguém consegue prever com absoluta certeza qual será a evolução futura.
As decisões económicas dependem de muitos fatores, incluindo inflação, crescimento económico, conflitos internacionais, preços da energia e evolução dos mercados financeiros.
Vale a pena escolher taxa fixa ou taxa variável?
Esta é uma das dúvidas mais frequentes entre quem procura financiamento para comprar casa.
A taxa variável acompanha a evolução da Euribor. Isso significa que tanto pode permitir pagar menos quando as taxas descem como obrigar a prestações mais elevadas quando sobem.
Já a taxa fixa oferece previsibilidade.
A prestação mantém-se praticamente igual durante o período contratado, independentemente das oscilações da Euribor.
Nenhuma solução é universalmente melhor.
Quem valoriza estabilidade e quer evitar surpresas pode sentir-se mais confortável com uma taxa fixa.
Quem acredita que as taxas irão baixar ao longo dos próximos anos poderá preferir manter uma taxa variável.
Existe ainda uma terceira possibilidade, cada vez mais comum em Portugal.
Muitos bancos disponibilizam créditos com taxa mista, nos quais a prestação permanece fixa durante os primeiros anos e passa depois para taxa variável indexada à Euribor.
A escolha depende sempre da situação financeira de cada família, da capacidade para suportar eventuais aumentos da prestação e do horizonte temporal do empréstimo.
Porque continua a ser importante acompanhar a Euribor?
Mesmo quem não pretende comprar casa deve conhecer este indicador.
A Euribor influencia não só os novos créditos, mas também milhões de contratos já existentes em toda a Europa.
Além disso, a evolução das taxas de juro acaba por ter reflexos noutras áreas da economia.
Pode influenciar o consumo, o investimento, o mercado imobiliário e até a facilidade com que famílias e empresas conseguem obter financiamento.
Para quem tem um crédito à habitação, acompanhar a Euribor permite antecipar possíveis alterações na prestação e preparar melhor o orçamento familiar.
Nem todas as mudanças acontecem de um dia para o outro, mas perceber como funciona este indicador ajuda a interpretar as notícias económicas e a tomar decisões mais informadas.
A Euribor pode parecer um conceito técnico à primeira vista, mas o seu impacto é bastante concreto. Está presente em muitos contratos de crédito à habitação e pode fazer a diferença entre pagar mais ou menos todos os meses. Conhecer o seu funcionamento não elimina as oscilações do mercado, mas permite compreender melhor porque mudam as prestações e o que pode acontecer nos próximos meses. Num contexto económico em constante evolução, estar informado continua a ser uma das melhores ferramentas para tomar decisões com maior confiança.






