A inteligência artificial está a tornar-se uma ferramenta cada vez mais presente na vida académica e a Google quer que os estudantes se habituem a utilizá-la. A empresa lançou uma nova promoção que permite a estudantes do ensino superior usar durante 12 meses, sem qualquer custo, um dos seus planos pagos de inteligência artificial.
E, desta vez, a oportunidade também está disponível em Portugal.
A promoção foi anunciada a nível internacional e abrange estudantes elegíveis em mais de 140 países e regiões. Enquanto nos Estados Unidos a Google está a oferecer o plano Google AI Pro, nos restantes mercados abrangidos, incluindo Portugal, a oferta incide sobre o Google AI Plus.
Para quem já utiliza regularmente o Gemini para estudar, fazer pesquisas ou organizar trabalhos, pode ser uma oferta interessante: são 12 meses de acesso a funcionalidades que normalmente exigem uma subscrição mensal.
O que recebem os estudantes em Portugal?
O plano oferecido aos estudantes fora dos Estados Unidos é o Google AI Plus.
Em Portugal, este plano custa normalmente 4,99 euros por mês e oferece limites superiores aos disponíveis numa conta gratuita do Gemini.
Entre as principais vantagens estão:
- 400 GB de armazenamento partilhados entre Google Drive, Gmail e Google Fotos;
- limites de utilização do Gemini aproximadamente duas vezes superiores aos da versão gratuita;
- maior acesso aos modelos avançados da Google;
- maior acesso ao Deep Research;
- acesso ao Gemini Omni;
- mais possibilidades de geração de imagens, vídeo e outros conteúdos;
- funcionalidades adicionais de inteligência artificial integradas nos serviços da Google.
Se pensarmos no preço normal da subscrição, um ano gratuito representa perto de 60 euros de poupança.
Mas provavelmente o mais interessante para um estudante nem é o armazenamento adicional. É aquilo que a Google está a construir à volta do Gemini especificamente para o estudo.
O Gemini está a transformar-se numa espécie de colega de estudo
Ao mesmo tempo que anunciou a promoção, a Google apresentou um novo espaço dedicado aos estudantes dentro do Gemini.
O objetivo é concentrar num único local algumas das ferramentas que podem ser utilizadas durante um semestre ou ano letivo.
Por exemplo, é possível criar cadernos de estudo a partir dos próprios materiais das aulas. O estudante pode carregar apontamentos, documentos ou outros conteúdos e o Gemini organiza essa informação para criar um plano de estudo.
Pode ainda gerar questionários, cartões de memorização e pequenos testes para perceber quais são os assuntos em que existem mais dificuldades.
A Google está também a introduzir gráficos, imagens e até visualizações interativas em 3D para explicar determinados conceitos. Em vez de receber apenas uma explicação escrita sobre uma molécula ou determinado fenómeno físico, por exemplo, o estudante poderá interagir com uma representação visual criada para aquela pergunta.
É uma direção interessante porque mostra que a disputa entre as grandes empresas de inteligência artificial já não passa apenas por saber qual chatbot escreve a melhor resposta.
A competição está a passar para algo muito mais específico: quem consegue tornar-se a ferramenta que os estudantes abrem todos os dias.
Até as datas dos exames podem ser organizadas
Há ainda uma funcionalidade particularmente curiosa.
Ao analisar os materiais de uma disciplina, os cadernos de estudo do Gemini poderão identificar datas importantes, como exames ou prazos de entrega de trabalhos, e adicioná-las ao Google Calendar, desde que o utilizador dê autorização.
Pode parecer um pequeno detalhe, mas é precisamente este tipo de integração que torna estas ferramentas mais úteis no quotidiano.
Em vez de utilizar a inteligência artificial apenas para responder a uma pergunta, começa a ser possível usá-la para organizar parte da própria rotina académica.
Deep Research também está a chegar ao Gemini Live
Outra novidade anunciada pela Google é a integração do Deep Research no Gemini Live.
Na prática, o estudante poderá pedir verbalmente ao Gemini para investigar determinado assunto. A ferramenta realiza uma pesquisa mais aprofundada, consulta diferentes fontes e prepara um relatório.
Entretanto, o utilizador pode fechar a conversa ou até bloquear o telemóvel. Quando a pesquisa estiver concluída, recebe uma notificação e pode continuar a conversar sobre os resultados obtidos.
Para trabalhos académicos, esta funcionalidade pode poupar bastante tempo na fase inicial de pesquisa.
Naturalmente, isso não significa que os resultados devam ser copiados diretamente para um trabalho. Informações, referências e fontes continuam a precisar de ser verificadas — especialmente quando estão em causa trabalhos que vão ser avaliados.
A inteligência artificial pode acelerar a pesquisa. Não substitui o espírito crítico.
Quem pode receber os 12 meses gratuitos?
A promoção destina-se a estudantes matriculados em estabelecimentos de ensino superior nos países onde o Google AI Plus está disponível.
Em Portugal, por estar dentro do Espaço Económico Europeu, as funcionalidades dos planos de IA da Google estão disponíveis para utilizadores com 18 anos ou mais.
Para aproveitar a oferta, é necessário:
- estar matriculado numa instituição de ensino superior elegível;
- confirmar o estatuto de estudante através da SheerID;
- utilizar uma Conta Google pessoal;
- possuir uma conta Google Payments;
- adicionar uma forma de pagamento válida durante a subscrição.
A verificação é feita através da SheerID, serviço utilizado por várias empresas para confirmar se uma pessoa é realmente estudante.
Segundo as condições atualmente publicadas pela Google, a oferta de 12 meses deve ser resgatada até 31 de dezembro de 2026.
Como ativar a oferta
O processo é relativamente simples.
O estudante deve entrar na página de ofertas para estudantes do Google One, iniciar sessão com a sua Conta Google e selecionar a promoção disponível.
Depois será encaminhado para a verificação do estatuto académico através da SheerID.
Após a confirmação, basta concluir a subscrição e adicionar uma forma de pagamento, caso ainda não exista uma associada à conta.
Há, no entanto, algumas situações que podem complicar o processo. Por exemplo, os membros de determinados grupos familiares do Google One podem ter de abandonar primeiro o plano partilhado para conseguirem aderir à promoção. Algumas subscrições feitas através de parceiros externos também podem não ser elegíveis.
Há uma condição que convém não esquecer
Apesar de serem anunciados como 12 meses gratuitos, estes planos funcionam como uma subscrição.
Isto significa que é necessária uma forma de pagamento e, quando terminar o período promocional, a subscrição poderá converter-se para o plano pago normal, salvo situações em que a legislação aplicável exija novo consentimento.
A própria Google indica que enviará uma notificação antes dessa alteração.
Por isso, quem quiser apenas aproveitar o período gratuito deve prestar atenção à data de renovação e cancelar a subscrição antes da cobrança, caso já não pretenda continuar.
É aquele pequeno detalhe que facilmente passa despercebido quando uma promoção oferece um ano inteiro de serviço.
Uma promoção que também mostra onde a Google quer chegar
Mais do que oferecer armazenamento ou acesso a modelos de inteligência artificial durante um ano, esta promoção revela uma estratégia bastante clara.
A Google quer que os estudantes comecem a utilizar o Gemini como hoje utilizam o Google Drive, o Gmail ou a Pesquisa.
Se um estudante passar vários anos a organizar os apontamentos, preparar exames, pesquisar e escrever com o apoio destas ferramentas, existe uma forte possibilidade de continuar a utilizá-las quando entrar no mercado de trabalho.
E é precisamente aí que esta oferta deixa de parecer apenas uma promoção generosa.
Pode também ser um investimento num hábito que a Google espera que acompanhe uma nova geração de utilizadores durante muitos anos.






